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Identidade

A Cultura popular da Póvoa de Varzim é bastante rica, e ela mesmo diversificada, fruto dos diferentes meios de subsistência que a sua população encontrou. A mais carismática, e outrora amplamente dominante, é a comunidade piscatória. Tal como é característico das comunidades piscatórias tem particularidades culturais muito próprias, que chegam a ser bastante diferentes quando comparadas com outras regiões do país, mesmo vizinhas. Entretanto, podemos evidenciar vivências distintas divididas em três grupos: A ligada ao mar: pescadores lanchões e sardinheiros;
A ligada à terra e ao mar: seareiros e sargaceiros;
A ligada à terra: lavradores.

Ala-Arriba
A expressão local Ala-Arriba! significa "força, para cima!", e era gritada quando se puxava um barco para terra por toda a comunidade, passando a ser vista como o lema da Póvoa de Varzim.

Reino da Póvoa
As expressões "Poveirinhos pela graça de Deus" e "Reino da Póvoa" tem origem numa viagem marítima de D. Luis I que passando num navio junto à costa, viu uma lancha poveira. O rei ficou admirado pela aparência física distinta dos tripulantes e perguntou-lhes se eram espanhóis, que indignou os poveiros que responderam que não. O rei pergunta então se são portugueses, e os poveiros dizem de novo que não, que são "Poveirinhos pela Graça de Deus". Ao que o rei lhes pergunta de que reino são, respondem que são do "Reino da Póvoa". A Póvoa de Varzim é uma unidade etnocultural.Até ao início do século XX, as comunidades da Póvoa de Varzim apresentavam-se marcadas pela endogamia, exclusivismo e princípios de identidades de feições com vários séculos.
Devido à prática da endogamia e ao sistema de castas, a comunidade piscatória da Póvoa manteve características étnicas próprias. Desde o século XIX que existe debate sobre as suas origens étnicas. Desde suevos, prussianos, normandos a fenícios. A maioria concordava de se tratar de uma população com parte da sua origem no Norte da Europa, da região do Báltico, o que levou Baptista de Lima a afirmar «Os poveiros não são fenícios, nem estes trouxeram aqui a sua colonização.
Dados antropológicos e culturais indicam a colonização de pescadores nórdicos durante a fase do repovoamento do litoral. No livro The Races of Europe, os poveiros nativos eram relatados como sendo ligeiramente mais loiros que o comum, tendo caras largas de origem desconhecida e queixos robustos. Numa pesquisa publicada em «O poveiro» em 1908, logo usando a ciência do século XIX, o antropólogo Fonseca Cardoso considerou que um elemento antropológico dolicocéfalo, de nariz aquilino, era de origem semito-fenícia. Considera assim que o Poveiro é o resultado de uma mistura de fenícios, teutões, judeus e, principalmente, normandos.