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Santos Populares

Junho é o mês dos arraiais, das marchas, das sardinhas e dos manjericos – em menos palavras: é o mês dos Santos Populares. Todo o país, vive com mais alegria, celebrando casamentos e prolongando as conversas até de madrugada, bem regadas com vinho carrascão e acompanhadas das populares sardinhas.



No entanto, a comemoração de três santos católicos é apenas um pretexto para estas festas populares. Muito antes de Jesus Cristo já o povo festejava nesta altura do ano, celebrando o Solstício de Verão. Era altura para saudar a proximidade das colheitas, para fazer sacrifícios em prol da fertilidade e para afastar as doenças e a seca. Pensa-se que as tão populares fogueiras têm origem na celebração da deusa romana Vesta, guardiã do lar e do fogo. A Igreja não conseguiu pôr fim a estas festas pagãs e, como solução, transformou-as em católicas. Santo António, São João e São Pedro, qual deles o mais festeiro, distinguem-se pelo percurso das suas vidas, mas reúnem-se, em Junho, nas festas populares.

13 de Junho, dia de Santo António
Santo António é o santo padroeiro de Lisboa, por aqui ter nascido por volta de 1190. A sua vida, no entanto, não foi de folia, mas antes dedicada às leis da Igreja. Ainda jovem, já ordenado frade franciscano, o Santo (Fernando de Bulhão era o seu nome verdadeiro, filho de mercadores ricos) vai para Marrocos em missão de apostolado aos muçulmanos. Acometido de doença, vê-se obrigado a regressar, mas, ao que consta, o barco em que seguia foi acossado por uma tempestade e acabou por ir dar à costa da Sicília. Foi na Itália que deu a conhecer os seus dotes de orador, sendo feito pregador e doutor em teologia. O próprio São Francisco de Assis concedeu a Frei António – e só a ele – o direito de ensinar teologia nos conventos de Bolonha, Montpellier, Toulouse e Pádua, sendo-lhe atribuído o mérito de restabelecer a fé do povo contra as heresias da época. Pregando e escrevendo, o frade morreu ainda jovem, calcula-se que aos 36 anos, no dia 13 de Junho, devido a uma doença súbita. Um ano depois, era canonizado Santo pelo Papa Gregório IX.



O povo festeja Santo António como santo casamenteiro. A lenda tem origem na generosidade com que o frade presenteava as jovens sem dote para que se pudessem casar. Daqui resultaram diversas outras lendas. A mais conhecida reza que uma rapariga, farta de rezar e esperar que o santo ouvisse as suas preces, atirou a sua imagem pela janela fora. A estatueta bateu na cabeça de um rico homem, que logo se apaixonou e casou com ela. A partir deste momento, o santo casamenteiro não teve mais descanso a atender os pedidos que lhe são dirigidos. Santo António é também, talvez devido aos seus dotes de oratória, o advogado das causas perdidas e o que nos ajuda a encontrar objectos perdidos de grande valor.

24 de Junho, dia de São João

Diz-se que nasceu a 24 de Junho o primo que anunciou Jesus, conhecido como São João Baptista. O último profeta do Velho Testamento tinha como missão preparar Israel para a vinda do Messias, tendo, ele próprio, baptizado Jesus Cristo. Considerado Santo ainda antes de nascer, uma vez que foi anunciado ao pai, Zacarias, por um mensageiro celeste, João nasceu numa família “justa perante Deus”, como rezam as escrituras. Foi criado no Deserto, onde viveu até indicar Jesus como sendo o “cordeiro de Deus”. Começou por baptizar os crentes num rito de penitência e purificação, em tudo diferente do que até então tinha sido feito, e por isso chamam-lhe Baptista. Morreu vítima de Herodes, que o mandou degolar a pedido da sua bela enteada.
São João é festejado com pratos especiais: carneiro ou cabrito do norte, caldeiradas de peixe no litoral, uns bolos chamados “capelas de São João” no Alentejo, bonecos com o formato do Santo no Algarve. As festas e os bailes duram toda a noite, com vinho a rodos e alimentos em quantidades desmedidas. “No São João, pinga a sardinha no pão”, diz o ditado. É o dia em que ninguém olha a despesas para a refeição mais lauta do ano.

29 de Junho, dia de São Pedro

O apóstolo preferido de Jesus ficou encarregue de construir a sua Igreja. “Constrói sobre mim a minha Igreja, qual rocha e fundamento, e eu te darei as chaves do Reino dos Céus”, disse o Messias a Simão, o Pescador, a quem baptizou de Pedro, significando a pedra sobre a qual ele iria erigir a Igreja Católica. O fiel e dedicado Pedro seguiu Jesus até ao fim, tendo, contudo, negado o Mestre por três vezes nas vésperas do seu martírio. Disto prontamente se arrepende e passa a agir como líder do grupo de apóstolos, baptizando famílias e espalhando a palavra de Deus pelas terras de Jerusalém, Palestina e mesmo entre os romanos. É aqui que vem encontrar o seu próprio martírio. Perseguido pelo imperador Nero, já teria passados os 60 anos quando foi crucificado no dia 29 de Junho, sendo depois enterrado numa necrópole pagã situada numa colina o Vaticano. Aquele que foi o primeiro Papa da História é considerado o padroeiro dos pescadores, profissão que abandonou para seguir Jesus Cristo. É também o guardião das portas do Céu e o comandante das chuvas, atribuindo-se-lhe ainda a protecção dos porteiros e das viúvas.

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