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Mitos e Crenças

As histórias mais abundantes são as das bruxas poveiras, algumas más, denominadas Bruxas do Diabo e outras que não tinham culpa da sua condição. As bruxas viveriam no meio da população, em especial no Ramalhão e Norte, era possível até mesmo o marido de uma bruxa desconhecer o fado da sua esposa. O fado das bruxas, pela noite, era terem de sair de suas casas e seguirem o Diabo pelas ruas. Ao passarem, as bruxas causavam danos aos haveres da população, levantavam os remos dos barcos dos pescadores, abriam as pipas dos lavradores, e outros tipos de tormentos. Às bruxa está associado o uso mágico e protector da sigla Sanselimão, um pentagrama. O uso da sigla tinha vários propósitos, desde a protecção ao salvar uma bruxa do seu fado. Para salvar uma bruxa do seu fado, era necessário um Sanselimão em aço na mão, desenhar um outro sanselimão no chão da rua onde esperaria, à noite, que o Diabo passasse com as bruxas atrás de si. A bruxa, sua esposa, ao lançar a mão deveria ser puxada pelo marido para dentro do sanselimão desenhado no chão. As outras bruxas atormentariam o homem, chamando nomes e assobiando.

Os pescadores que viajavam à Terra Nova para a pesca do Bacalhau contavam histórias das esquimós apaixonadas por pescadores poveiros, naufrágios, as visitas a Saint John''s (São Jones) e doris perdidos no meio do oceano, baseadas em parte realidade e parte lenda.

A Aventesma (na gíria local Benetesma) era um vulto muito alto, cuja forma se assemelharia às vestes de um padre. E, quanto mais se olhava mais crescia, se fosse muito alto formava um arco. Ao se ver no caminho, dever-se-ia lançar um tamanco e se o tamanco trespassar o arco do vulto, poderia-se passar e seguir caminho, se não era mau sinal.

O Bezerro Maldito era um bezerro ou boi maldito que andava pelas ruas da Póvoa, ouvindo-se o som das patas ao passar. Na Póvoa não havia gado, esse existia apenas nas aldeias. Ti Desterra, uma conhecida contadora de histórias, conta que sempre ouviu essas histórias e, quando criança, que o viu numa noite de Verão de forte nortada, que era preto e branco e, quando o bezerro passou, havia uma ventania tal que fazia remoinho.

O Peixe Grande era o nome que os poveiros davam a uma gigantesca criatura marinha. Nos dias santos (Dia de Corpo de Deus, Sexta-Feira Santa, Domingo, etc.) o pescador não ia para o mar por causa de um acontecimento que se contava que no Dia do Corpo de Deus, uns pescadores foram para o mar, o barco encheu-se do melhor peixe, os pescadores contentes seguiram de volta para a Póvoa, pois neste dia estava cheia de visitantes por causa da festa religiosa. De repente, notam que atrás deles vinha um peixe muito grande, o mestre disse logo que foi castigo divino e eles para se defenderem, atiravam o peixe ao mar, ao chegarem à terra já sem peixe beijaram a areia e nunca mais o pescador poveiro foi ao mar em dias santos.

Dizia-se que a Fonte da Bica providenciava às raparigas solteiras "um meio excelente de provisão de matrimónio".A lenda da Grande Cobra, relatada em 1758, está ligada à devoção da Senhora de Varzim, uma imagem do século XIII que teria aparecido milagrosamente, e à antiga Matriz da Póvoa, templo românico-gótico do século XI localizado no Largo das Dores, local que era conhecido por ser habitado por répteis venenosos especialmente a Grande Cobra. A Matriz localizada no largo possuia um ofídio, um elemento arquitectónico tipicamente românico semelhante a uma serpente ao qual o povo associava à lenda do aparecimento da imagem e do desejo da Senhora de Varzim de ali se manter, segundo interpretação popular, e não no templo localizado no centro da povoação, que era preferido pela população.